23 de setembro de 2009

Vargas Blues band




Javier Vargas nasce em Madrid, Espanha no ano de 1955, filho de emigrantes argentinos. Quando tinha nove anos sua familia regressa a Argentina. Ainda pequeno ganharia de seu pai o primeiro violão e aos 12 anos sua primeira guitarra elétrica. Vai morar na Venezuela com os pais durante algum tempo, até que decide mudar para Nashville,no Tenessee. Cidade musical por excelência, é reconhecida como capital da musica country. La ele faria sua primeira incursão como musico profissional na “Loco Covers Band”. Após dois anos muda-se para Los Angeles onde trabalharia como músicos de sessão. È durante essa época que conheceria músicos e bandas como Cannet Heat, Alvin Lee, Roy Buchanan e Van Halen. Passaria algum tempo como musico em um navio de cruzeiro de passagem pela Jamaica, o que lhe ofereceria uma oportunidade de contato com o reggae.

Em 1977 regressaria a Espanha, eram anos de efervescência cultural e musical , a chamada época da “ movida madrilenha” dos anos pós ditadura franquista. Colaborou com músicos de destaque como Miguel Rios, Joaquin Sabina, Orquesta Mondragón,Manolo Tena e outros.
Em 1991 criaria a sua própria banda, a Vargas Blues Band, e surge o seu primeiro albun, 'All Around Blues'. Em 1992 publicaria o seu segundo trabalho, 'Madrid-Memphis', que obteria excelente repercussão.

Nos anos seguintes Vargas Blues Band se consolidaria como uma das melhores bandas de blues. È interessante as experiências que realiza em sua mescla de músicos e ritmos "hispano-latinos" com o blues , como incorporar cantos e guitarras flamencas ao som de sua banda. Tocaria junto a Carlos Santana, outro celebre musico hispânico, que também participaria do seu álbum 'Blues Latino'.

Vargas Blues Band ~ Del Sur (Live)

Vargas Blues Band-Havana Getaway

Vargas Blues Band - Blues shuffle

Vargas Blues Band - Illagally (Interessante mistura com o flamenco)
Vargas Blues Band - Blues Latino
Vargas Blues Band - Chill Out (Sácalo)
Vargas Blues Band - Madrid to Memphis


16 de setembro de 2009

Paul Personne


Alguém criticou certa vez o fato de a maioria dos músicos de meu blog ser americanos ou ingleses. A verdade é que não sei a resposta, talvez porque foi nesses países que surgiram os músicos mais relevantes. Ou porque as grandes empresas discográficas eram deles. A verdade é que existe vida além do mundo aglo-saxão. Prova disso é esta nova serie de posts que inauguro com o fantástico guitarrista frances Paul Personne
Paul Personne (René-Paul Roux) nasceu em Argenteuil, França em 27 de dezembro de 1949. Passaria grande parte de sua infância em Houilles, região parisiense. Seu pai gostava de ouvir e tocar gaita, enquanto o jovem Paul ouvia Charles Aznavour e Edit Piaf no radio.Foi através do radio que ouviu por primeira vez a musica “rock” de Hussars Eddy Mitchell e Johnny Hallyday.

Seu pai o presentearia com um acordeão, mas Paul já se deixara seduzir pelo rock e acabaria por abandonar o instrumento em favor da bateria e guitarra. Começam suas experiências musicais com uma banda de colegas do colégio.Aos 17 anos formou-se em uma escola técnica em mecânica. Mas Paul queria mesmo é ser musico. A primeira oportunidade surgiria quando gravaram um disco com Pathé-Marconi com sua banda “L'Origine” chegariam a tocar em algumas rádios e fazer algumas apresentações mas sem muito êxito.Decepcionado começa a trabalhar em uma empresa de processamento alimentos, porem sem abandonar totalmente a musica. Foi um encontro com o grupo de teatro “Liquid Theater” que o traria de volta a encena musical. Daí surgiria uma banda formada por quinze músicos chamada “La Folle Entreprise”. Gravariam o álbum "Pas des anges" na Inglaterra. Isso o firmaria definitivamente como musico. Sua carreira teve altos e baixos, Tinha que enfrentar o “handicap” de ser um francês fazendo blues, ele faria algumas gravações em inglês, mas finalmente conseguiria prestar ao blues o seu sotaque frances.

Um trágico acidente envolvendo sua filha Jessica em 1984 o marcaria profundamente. Após um tempo de auto-exílio retornaria para nos brindar com esse seu magnífico “blues Frances”. Este é evidentemente um resumo bastante sucinto de toda uma vida,
Paul Personne teve uma longa trajetória, gravou com diferentes produtoras, ganhou prêmios, fez turnês, mas aqueles que queiram realmente conhecer o artista devem conhecer a sua obra. Apresento uma pequena amostra deste genial musico a seguir.

Site oficial click aqui

Paul Personne "il était une fois la route" LIVE 2006
Paul Personne - Guitar Solo

Paul Personne : Comme un Etranger
Paul Personne & Ticky Holgado : Le Blues du Dentiste
Paul Personne : Loco Loco - 2006

3 de setembro de 2009

Jeff Beck

Assistia outro dia um vídeo do brasileiro Tiago Della Vega, que detém o Recorde do Guinness de guitarrista mais rápido do mundo. É surpreendente a velocidade que ele alcança, com um dedilhado suave, apenas roçando os dedos nas cordas. Me fez lembrar os críticos do “Shred”, velocidade você pode alcançar com muito treino.Essas demonstrações se prestam mais a um numero circense do que realmente musica, sem querer desmerecer o Tiago Della Vega . Jeff Beck seria o lado oposto, sem velocidade exagerada nem demonstrações gratuitas de virtuosismo, com um “setup” básico, o uso magistral da alavanca e muita sensibilidade, Beck consegue hipnotizar o ouvinte de uma forma que os mais vertiginosos “Shred”não conseguirão jamais. Beck é o poeta lírico da guitarra.

Geoffrey Arnold Beck
nasceu na Inglaterra no dia 24 de junho de 1944, sua mãe era pianista, e em sua casa o radio vivia ligado. Estudou algum tempo no Wimbledon Art College, até topar com a figura singular de Screaming Lord Sutch. Muita coisa poderia dizer-se deste personagem, mas o importante foi que ao gravar com ele, Beck se introduziu nas altas esferas musicais Londrinas. Depois de sua saída da banda “The Tridents “, ele o ajudou a entrar na mítica “Yardbirds” após a saída de Eric Clapton .Todos os artistas conhecidos e reconhecidos tem seu marcador de águas, um momento em que se dão a conhecer, por um trabalho brilhante ou por sua atuação em uma formação de sucesso,entrar para uma banda onde tocaram guitarristas como Clapton e Jimmy Page foi o marcador de águas de Beck..Sua passagem pelos "Yardbirds" foi breve, apenas dois anos, voltaria algum tempo depois para ajudar na gravação do single “Love is Blue”, foi um de seus trabalhos mais criticados, mal sabiam os que o difamaram que Beck teria tocado mal de propósito, porque simplesmente odiava a canção. Essa birra de criança maculou sua imagem, e talvez por isso ele nunca teve grande acolhida entre os críticos.Mas no mundo musical era admirado e respeitado por todos os grandes guitarristas.

Beck nunca foi muito chegado a fazer um trabalho comercial. Passeava por diferentes gêneros ao sabor do vento. Tanto poderia tocar blues, rock, heavy-metal, jazz-fusion ou reggae. Não usava as parafernálias eletrônicas e pedais tão apreciados por outros artistas. No começo da carreira usava uma gilete para fazer um pequeno corte no cone do alto-falante de seu amplificador para dar um efeito de distorção. Com a chegada dos pedais se contentava com um wah-wah e algumas poucas vezes pedais de distorção e eco. Aprimorou como ninguém o uso da alavanca, que usa de forma genial.
Ficou algum tempo em “standby” até formar o “Jeff Beck Group”. Contava entre seus integrantes com a voz áspera de Rod Stewart, o baixista Ron Wood, o baterista Aynsley Dunbar, substituído depois por Mickey Waller e nos teclados Nicky Hopkins.Apesar do pouco êxito comercial esta banda sentaria as bases do que viria a se chamar mais tarde de “heavy metal”. As constantes brigas e a partida de Wood e Rod Stewart para os “ The Faces” acabaram por dissolver a banda.
È interessante perceber, como essa troca de músicos entre bandas propiciariam o surgimento de algumas futuras “mega bandas” . Dos “The Faces” Wood partiria para formar parte dos Rolling Stones, Kenney Jones partiria para os “ The Who” e Rod Stewart para uma promissora carreira solo.
Beck já pensava em sua nova formação quando sofreu um acidente de carro que o deixou de molho durante um ano.Ao voltar a ativa concebeu uma nova formação para “Jeff Beck Group”.Não tiveram muita aceitação e logo a banda se dissolveu.
Antes do acidente, Beck planejava criar um mega trio com Carmine Appice(batería) e Tim Bogert(baixo) membros do “Vanilla Fudge”. Sua intenção se viu frustrada por que ao retornar após o acidente estes partiram para formar a banda “ Cactus”. Estes se dissolveriam também pouco tempo depois. Era o que Beck estava esperando. Com eles formaria o “Beck, Bogert & Appice”.Ao contrario do que ele esperava a coisa não deu muito certo. Beck se sentiu decepcionado e após a dissolução se retirou para um exílio musical por 18 meses.

Ao voltar à ativa decidiu atuar em carreira solo, unindo-se a músicos eventuais. Foi uma boa idéia, isso lhe permitia excursionar por diferentes estilos musicais sem se ver preso a preceitos desta ou aquela banda. O surgimento do álbum de jazz-fussion “Blow by Blow” (1975) iniciou sua careira ascendente. Álbuns posteriores como “Wired” (1976), trariam faixas como a versão "Goodbye Pork Pie Hat" de Charles Mingus. Foi considerado por muitos como um dos melhores álbuns já editados.
A lista de músicos com quem tocou é extensa, músicos de estilos diversos como, Jan Hammer ( Ex Mahavishnu Orchestra), Stevie Ray Vaughan ,Santana, Jimmy Copley, Vinnie Colaiuta, B.B King, Mick Jagger, Roger Waters, Pino Palladino, Eric Clapton, Tal Wilkenfeld e um largo e infindável etc.

Álbuns posteriores como “Flash” e outros lhe renderiam alguns Grammy, fama e reconhecimento. Sem chegar a ser um musico popular e comercial, Beck construiu uma solida carreira que o coloca entre os 10 melhores guitarristas de todos os tempos.

Jeff Beck - Drown in my own tears
Jeff Beck - Led Boots
Jeff Beck - Nadia
Jeff Beck - Somewhere Over the Rainbow

Jeff Beck - Stratus
Jeff Beck - Scatterbrain
Jeff Beck - Goodbye Pork Pie Hat
Jeff Beck-Definitely Maybe


Tiago Della Vega - Isabella ( Muito bom)






27 de agosto de 2009

Les Paul

Quero deixar aqui minha homenagem a esse grande musico e um dos artífices da guitarra elétrica.
Lester William Polsfuss, nasceu em 9 de junho de 1915 em Waukesha, Wisconsin. Foi um musico precoce, demonstrando grande talento desde garotinho.

Les Paul viveu o apogeu das “Big Bands”, grupo de músicos que faziam apresentações para grandes públicos. Em aquela época não existia guitarra elétrica e a única forma de amplificação sonora conhecida era o microfone, utilizado apenas por cantores. Para quem tocava instrumento de corda como o violão era um problema fazer-se ouvir. A concorrência dos metais e percussão era desleal Os instrumentos de corda afogavam-se naquela enxurrada sonora.

Houve varias tentativas de aumentar a potência sonora destes instrumentos . Alguns conceitos só seriam aproveitados anos mais tarde como os fonocaptores do engenheiro da Gibson, Lloyd Loar. O violão metálico com cones de ressonância de John Dopyera, produziram um instrumento com um timbre característico, se tornou um instrumento de predileção dos "bluesman", mas seu som algo estridente era pouco versátil e limitado para alguns tipos de musica. Apareceram as cordas metálicas, o que levou a uma reestruturação do corpo do violão para agüentar as forças aplicadas por estas. Pensou-se em utilizar microfones, porém eles amplificavam todos os outros instrumentos a sua volta. Precisavam de uma amplificação que isola-se os outros sons. Algumas tentativas foram melhor sucedidas que outras, e pouco a pouco a guitarra foi evoluindo.
Foram muitos os que contribuíram para o desenvolvimento da guitarra elétrica como a conhecemos hoje. Nomes como Rickenbacher, e suas primeiras pastilhas eletromagnéticas nos chamados "violões havaianos", deram um primeiro passo no caminho certo. Apareceram as Gibson ES-150,”Eletric Spanish” de 1936, basicamente um violão espanhol com uma pastilha eletromagnética. Esta teria grande sucesso entre os músicos profissionais, graças principalmente a um musico da orquestra de Benny Goodman, chamado Charlie Christian. Ele seria o primeiro a fazer grandes solos com este instrumento, algo antes reservado a instrumentos de sopro. Christian foi o responsável de tirar a guitarra da base rítmica e tranforma-la em um instrumento “solista” . Essa mudança de "status" colocou o guitarrista em um plano de destaque, a repercussão dessa mudança foi tanta que a pastilha da Gibson ES-150 é conhecida até os dias de hoje como “pastilha Charlie Christian”.

Foi nesse ambiente que cresceu Les Paul. Já de pequeno faria suas experiências com peças de telefone e o velho radio de seus pais, tentando achar uma maneira de amplificar seu violão . Em uma dessas experiências quase morreu eletrocutado. Mas ele não desistiu, unindo pedaços de uma guitarra acústica com um pedaço de madeira no meio criou o conceito do que seria a primeira “guitarra solida”.Ofereceu sua invenção a Gibson que não se interessou . Pouco tempo depois a Fender lançaria a primeira guitarra "solida" do mercado, obtendo grande êxito de venda. Isso fez com que a Gibson mudasse de idéia e decidiram fabricar a guitarra de Les Paul.Com pouco sucesso a principio, finalmente se tornaria a d guitarra favorita de muitos músicos renomados. A lista de guitarristas que a tocaram é interminável. Hoje a Gison Les Paul é um verdadeiro mito, e seus modelos de 1957 e 1959 alcançam preços exorbitantes, tornando-se instrumento de colecionador , como se fossem violinos "Stradivarius".

Fruto da criatividade Les Paul foram também as gravações multi pistas, o que permitia a um mesmo musico tocar uma base rítmica e a seguir sobrepor uma gravação em uma pista adjacente com o próprio solo.Isto implicaria em uma verdadeira revolução.

Les Paul foi condecorado pelo presidente George W. Bush com a “ Medalha Nacional das Artes”, maior distinção dada a um artista pelo governo Norte Americano. Ganharia três prêmios Grammy além de infinidade de homenagens e distinções.
Les Paul era principalmente e, sobretudo um grande musico e assim será recordado.

Comercial cerveja "Coors" , ja diz tudo
Les Paul & Stanley Jordan

Les Paul - Jeff Beck - Jamming Together( video ruim mas vale a pena)
Les Paul na Expo 1992 de Sevilla -" Brazil"
Les Paul Trio - "Over The Rainbow"
Les Paul - Caravan

Les Paul & Mary Ford How High the Moon ( Um marco na historia)