3 de setembro de 2009

Jeff Beck

Assistia outro dia um vídeo do brasileiro Tiago Della Vega, que detém o Recorde do Guinness de guitarrista mais rápido do mundo. É surpreendente a velocidade que ele alcança, com um dedilhado suave, apenas roçando os dedos nas cordas. Me fez lembrar os críticos do “Shred”, velocidade você pode alcançar com muito treino.Essas demonstrações se prestam mais a um numero circense do que realmente musica, sem querer desmerecer o Tiago Della Vega . Jeff Beck seria o lado oposto, sem velocidade exagerada nem demonstrações gratuitas de virtuosismo, com um “setup” básico, o uso magistral da alavanca e muita sensibilidade, Beck consegue hipnotizar o ouvinte de uma forma que os mais vertiginosos “Shred”não conseguirão jamais. Beck é o poeta lírico da guitarra.

Geoffrey Arnold Beck
nasceu na Inglaterra no dia 24 de junho de 1944, sua mãe era pianista, e em sua casa o radio vivia ligado. Estudou algum tempo no Wimbledon Art College, até topar com a figura singular de Screaming Lord Sutch. Muita coisa poderia dizer-se deste personagem, mas o importante foi que ao gravar com ele, Beck se introduziu nas altas esferas musicais Londrinas. Depois de sua saída da banda “The Tridents “, ele o ajudou a entrar na mítica “Yardbirds” após a saída de Eric Clapton .Todos os artistas conhecidos e reconhecidos tem seu marcador de águas, um momento em que se dão a conhecer, por um trabalho brilhante ou por sua atuação em uma formação de sucesso,entrar para uma banda onde tocaram guitarristas como Clapton e Jimmy Page foi o marcador de águas de Beck..Sua passagem pelos "Yardbirds" foi breve, apenas dois anos, voltaria algum tempo depois para ajudar na gravação do single “Love is Blue”, foi um de seus trabalhos mais criticados, mal sabiam os que o difamaram que Beck teria tocado mal de propósito, porque simplesmente odiava a canção. Essa birra de criança maculou sua imagem, e talvez por isso ele nunca teve grande acolhida entre os críticos.Mas no mundo musical era admirado e respeitado por todos os grandes guitarristas.

Beck nunca foi muito chegado a fazer um trabalho comercial. Passeava por diferentes gêneros ao sabor do vento. Tanto poderia tocar blues, rock, heavy-metal, jazz-fusion ou reggae. Não usava as parafernálias eletrônicas e pedais tão apreciados por outros artistas. No começo da carreira usava uma gilete para fazer um pequeno corte no cone do alto-falante de seu amplificador para dar um efeito de distorção. Com a chegada dos pedais se contentava com um wah-wah e algumas poucas vezes pedais de distorção e eco. Aprimorou como ninguém o uso da alavanca, que usa de forma genial.
Ficou algum tempo em “standby” até formar o “Jeff Beck Group”. Contava entre seus integrantes com a voz áspera de Rod Stewart, o baixista Ron Wood, o baterista Aynsley Dunbar, substituído depois por Mickey Waller e nos teclados Nicky Hopkins.Apesar do pouco êxito comercial esta banda sentaria as bases do que viria a se chamar mais tarde de “heavy metal”. As constantes brigas e a partida de Wood e Rod Stewart para os “ The Faces” acabaram por dissolver a banda.
È interessante perceber, como essa troca de músicos entre bandas propiciariam o surgimento de algumas futuras “mega bandas” . Dos “The Faces” Wood partiria para formar parte dos Rolling Stones, Kenney Jones partiria para os “ The Who” e Rod Stewart para uma promissora carreira solo.
Beck já pensava em sua nova formação quando sofreu um acidente de carro que o deixou de molho durante um ano.Ao voltar a ativa concebeu uma nova formação para “Jeff Beck Group”.Não tiveram muita aceitação e logo a banda se dissolveu.
Antes do acidente, Beck planejava criar um mega trio com Carmine Appice(batería) e Tim Bogert(baixo) membros do “Vanilla Fudge”. Sua intenção se viu frustrada por que ao retornar após o acidente estes partiram para formar a banda “ Cactus”. Estes se dissolveriam também pouco tempo depois. Era o que Beck estava esperando. Com eles formaria o “Beck, Bogert & Appice”.Ao contrario do que ele esperava a coisa não deu muito certo. Beck se sentiu decepcionado e após a dissolução se retirou para um exílio musical por 18 meses.

Ao voltar à ativa decidiu atuar em carreira solo, unindo-se a músicos eventuais. Foi uma boa idéia, isso lhe permitia excursionar por diferentes estilos musicais sem se ver preso a preceitos desta ou aquela banda. O surgimento do álbum de jazz-fussion “Blow by Blow” (1975) iniciou sua careira ascendente. Álbuns posteriores como “Wired” (1976), trariam faixas como a versão "Goodbye Pork Pie Hat" de Charles Mingus. Foi considerado por muitos como um dos melhores álbuns já editados.
A lista de músicos com quem tocou é extensa, músicos de estilos diversos como, Jan Hammer ( Ex Mahavishnu Orchestra), Stevie Ray Vaughan ,Santana, Jimmy Copley, Vinnie Colaiuta, B.B King, Mick Jagger, Roger Waters, Pino Palladino, Eric Clapton, Tal Wilkenfeld e um largo e infindável etc.

Álbuns posteriores como “Flash” e outros lhe renderiam alguns Grammy, fama e reconhecimento. Sem chegar a ser um musico popular e comercial, Beck construiu uma solida carreira que o coloca entre os 10 melhores guitarristas de todos os tempos.

Jeff Beck - Drown in my own tears
Jeff Beck - Led Boots
Jeff Beck - Nadia
Jeff Beck - Somewhere Over the Rainbow

Jeff Beck - Stratus
Jeff Beck - Scatterbrain
Jeff Beck - Goodbye Pork Pie Hat
Jeff Beck-Definitely Maybe


Tiago Della Vega - Isabella ( Muito bom)






2 comentários:

1.
E.S.A disse...

Fernando a materia com o Jeff Beck, foi demais, eu escrevi isso no meu blog. É muito legal a iniciativa, o blog e tem muita informação pra quem não quer apenas tocar, mas também ficar informado sobre os grandes idolos da guitarra. Ah, mas eu queria saber c vc poderia fazer uma materia sobre o grande Eric Clapton... é só um pedido.

Parabens, eu adicionei o link do blog no meu site.

Abraços

clubedoalgodao disse...

Valeu pelo comentário, gostei muito do seu blogue também.Estou salvando suas matérias como objeto de estudo.Acho importante blogues intemporais, o que escreve não perde a validade, vão ser importantes materias de consulta sempre, é o que pretendo com o meu também. Quanto a Eric Clapton eu ppoderia escrever algo no futuro mas no momento estou me dedicando mais a musicos menos conhecidos, sobre Eric Clapton tem muita informação na rede, bem que gostaria de escrever sobre todos os "grandes", mas é uma tarefa gigantesca, por isso prefiro me centrar de momento nos mais desconhecidos, ou os "esquecidos". De todas formas escrevi sobre o Clapton indiretamente no meu post sobre Derek and the Dominós, dá uma olhada lá.
Um abraço